segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não fui eu


Bruno Fernandes das Dores de Souza ou simplesmente Bruno. Goleiro, 25 anos de idade, 293 jogos como atleta profissional e, apesar da posição em que atua, anota quatro gols na carreira. Defendeu, desde 2004 quando estreou, três dos clubes de maiores torcidas do Brasil (Atlético-MG, Corinthians e Flamengo). Pelo rubro-negro carioca, onde joga há três anos, conquistou um tricampeonato estadual e foi o capitão da equipe que venceu o último Campeonato Brasileiro. Apesar da carreira meteórica e dos valores que conseguiu atribuir a sua pessoa como ídolo, hoje, o único sentimento que tem da maioria é o desprezo e o pré-julgamento de culpado pelo envolvimento no sequestro e assassinato da modelo Eliza Samudio, mulher com o qual se relacionou.

Declarações polêmicas sobre convivências com seres do sexo oposto podem até dizer algo sobre sua personalidade. Mas eis que cabe a pergunta: Quem somos nós para julgá-lo? O que tem se visto nos últimos dias são cidadãos de norte a sul do Brasil, independente de serem torcedores de times rivais do Flamengo ou não, fazendo piadas e entitulando o jogador como o extremo marginal. Seja por influência dos grandes meios de comunicação que atualmente têm mais a obrigação de vender do que de informar ou por mero rancor e mania de opinar sobre aquilo que nunca se teve conhecimento. Como em época de Copa do Mundo, porém em vez de 190 milhões de técnicos, nos tornamos juízes.

Esse é um problema que não é incomum. Na escola, no trabalho, em casa. Sempre tentamos esconder nossos erros, mas nunca exitamos em apontar os dos outros. Quando casos como esse do Bruno entram por nossas televisões a todo o momento é que, infelizmente, acabamos não percebendo o quão juízes somos. Quem ainda não notou ou simplesmente não concorda, experimente analisar o mês de janeiro, quando somos massacrados pelo Big Brother. Sem nem mesmo conhecer e com apenas três meses para se ter noção sobre a personalidade de um ser humano, entitulamos os participantes como pessoas do 'bem' e do 'mal'.

Juiz. No futebol, o ser mais odiado por todos quando deixa de favorecer ou prejudica diretamente o time do coração. No caso da justiça, se é que esta pode ser pronunciada com entusiasmo nesse país, é o homem da capa preta, que bate o martelo e, a partir das provas apresentadas, decide se o réu é culpado ou inocente. Portanto, se matou ou não. Se mandou ou não matar. Quem vai ter que descobrir e provar é o delegado e a equipe do núcleo de homicídios responsáveis pela investigação. Nós, que nos dizemos malandros e de vez em sempre damos uma de quem nunca cospiu no chão, deveríamos, ao menos uma vez na vida, olhar para nós mesmos e, se for para julgar, que seja de forma assumida, assinando a carta de verdadeiros preconceituosos.

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