sábado, 31 de julho de 2010

Obesidade cresce no Brasil

Seja por questões de saúde ou por simples preocupação com a estética, a busca pelo corpo perfeito tem sido uma das maiores obsessões dos brasileiros nos últimos anos. Porém, apesar da força de vontade de parte da população, dados de uma Pesquisa de Vigilância e Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas, realizada no fim do último mês, a partir de uma parceria do Ministério da Saúde com a Universidade de São Paulo (USP), mostraram que o excesso de peso e a obesidade cresceram nos últimos quatro anos no Brasil. De 2006 a 2009, a proporção de pessoas acima do peso subiu de 42,7% para 46,6% e o percentual de obesos cresceu de 11,4% para 13,9% no mesmo período analisado. O sobrepeso é maior entre os homens: 51%, ante 42,3% nas mulheres.

Os médicos especialistas confirmam que, mesmo que, na maioria das vezes, o problema está relacionado a fatores genéticos, ainda há uma influência significativa do sedentarismo e de padrões alimentares inadequados durante os vários ciclos de vida do ser humano. Nos homens, a situação é mais comum a partir dos 35 anos, mas chega a 59,6% entre pessoas de 55 a 64 anos. Na população feminina, o índice mais que dobra na faixa etária dos 45 aos 54 anos (52,9%) em relação a 18-24 anos (24,9%).

Já a prevalência da obesidade entre homens quase triplica do grupo etário de 18 a 24 anos (7,7%) para o de 55 a 64 anos (19,9%). Entre as mulheres mais jovens, na faixa etária de 18 a 24 anos, o índice é de 6,22%, menor que o masculino nessa mesma etapa. Já nas mulheres entre 55 a 64 anos o percentual supera o masculino, ficando em 21,3%.

Além das dificuldades naturais enfrentadas pelo excesso de peso, a obesidade pode, ao longo do tempo, acarretar problemas à saúde do ser humano como hipertensão arterial e diabetes. De acordo com a coordenadora de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta, o crescimento no número de pessoas com sobrepeso e obesas, em um curto período, é uma tendência mundial. “O Brasil não está isolado nessas estimativas. É mais um reflexo da queda no consumo de alimentos saudáveis e a substituição deles por produtos industrializados e refeições pré-prontas”, disse.

Motivos - Alguns especialistas defendem a tese de que, nos primeiros seis anos de vida, a obesidade pode ser uma “condição programada”, não tendo apenas a ver com o consumo excessivo de calorias ou o sedentarismo. Sendo assim, o aumento constante da obesidade em todo o mundo não se explica só pelos fatores de risco já conhecidos. Para o Dr. Honomar Ferreira, endocrinologista comandante de um grupo de pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF), a questão hormonal também é uma das causas determinantes. “A leptina, que é um hormônio produzido e secretado pelo tecido adiposo, quando deficiente ou em excesso, pode determinar a alteração no peso”, afirmou.

Ainda, segundo o Dr. Honomar, os métodos procurados pelas pessoas para emagrecimento são relativos e variam de acordo com a saúde de cada um.
“Não há como afirmar que a operação para redução de estômago é mais eficaz que a dieta ou vice-versa. Existem situações onde o obeso é aconselhado pelo médico a operar. Nesse caso, quando há essa necessidade extrema, é porque o cidadão está correndo sérios riscos. Em outros, é mais fácil a indicação de exercícios físicos e alimentação balanceada. A procura por um endocrinologista e um nutricionista é de fundamental importância”, comentou.

Uma história que deu certo


Enganam-se os que pensam que, por um motivo ou outro, não vão conseguir obter a forma e o corpo dos sonhos. Quando há força de vontade, acontece. No caso da atendente de telemarketing Annik do Carmo Leite, de 19 anos, a história teve um final mais que feliz. Depois de sofrer com o problema durante quase toda sua infância e adolescência e chegar a pesar 112 quilos, ela, que é moradora do bairro Coelho, em São Gonçalo, decidiu procurar um médico que sugeriu a cirurgia bariátrica, conhecida popularmente como redução de estômago, e conseguiu atingir 65 quilos, perdendo 47 quilos.

Há dois anos, ela surpreendeu familiares e amigos que ainda não se acostumaram com sua nova aparência. Além da nova estética, questões de saúde foram fundamentais para ajudar na decisão de se operar. “Além de sofrer com todas as dificuldades naturais por conta do peso, eu era hipertensa. Procurei entrar na internet para saber sobre a cirurgia, os riscos e o tempo que levaria para me recuperar. Graças a Deus, deu tudo certo e ainda vem dando”, disse Annik.

Após operada, ela ficou cerca de um mês sem sair de casa, se alimentando apenas à base de líquidos. Depois de completado o período inicial, seguindo a dieta à risca, ela voltou a comer. “Muita gente pensa que só a operação basta, mas não é assim. Se você não se habituar a ingerir apenas a nova quantidade que seu organismo passa a suportar, tudo volta”, comentou, completando que, para ela, a sociedade em que vivemos está bem longe de aceitar as pessoas obesas, embora isso não seja percebido por muitos.

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