segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Bebê encontrado morto dentro de lixeira em SG

Estamos perdendo nossas crianças. Não há como entender o verdadeiro porquê de uma mãe abandonar um ser que recém saiu de seu ventre. Mesmo com a maioria das mulheres ainda mantendo a tradição de um dia constituírem uma família, algumas tristes exceções escolhem pelo lado da evasão da responsabilidade. Independente de político ou social, o problema existe e tem se tornado uma realidade na região. Em pouco mais de dois meses, o bebê encontrado em Marambaia, São Gonçalo, já é o terceiro jogado em meio ao lixo, vítima de mais uma atitude desumana.

Uma menina recém-nascida foi encontrada morta dentro de uma lata de lixo por moradores da Praça Monte Castelo, na fim da tarde do último sábado (28), em Marambaia, São Gonçalo. O corpo da criança, que ainda possuía o cordão umbilical, estava dentro de uma caixa, envolvida por um lençol completamente ensanguentado. De acordo com as constatações iniciais dos peritos, o bebê mal tinha completado um dia de existência.

A primeira pessoa a se deparar com a deplorável cena foi a dona de casa Ana Lúcia Resende Alvarenga, de 37 anos de idade, moradora do bairro há apenas quatro meses. Ela, que tinha saído para jogar o lixo doméstico no latão, detalhou sobre o quão assustada ficou ao ver que, dentro de sua lixeira, havia uma criança morta.

“Me choquei quando vi um lençol todo sujo de sangue dentro do lixo. Quando removi o pano, o susto foi maior ainda. Até cheguei a pensar que fosse um filhote de cachorro morto, mas, depois que vi que se tratava de uma criança, corri pra dentro e chamei o meu marido”, disse.

Marido de Ana Lúcia, o pintor de automóveis Antônio Miguel Salustiano Filho, 55, contou que demorou para acreditar na história narrada por sua assustada esposa. Segundo ele, foi preciso ver pra crer em tamanha barbaridade.

“Minha mulher chegou desesperada gritando que tinha uma criança no lixo. Achei até que fosse surto, mas, quando fui ver, tinha mesmo. O bebê já estava morto dentro de uma caixa que parecia de sapato. De imediato chamei a polícia e pedi aos demais vizinhos que também ligassem para dar veracidade a denúncia”, explicou.

Ainda, de acordo com Antônio, não demorou muito para que as autoridades chegassem. Indignado, ele, que é pai de dois filhos já adultos – um de 32 e um de 20 – disse que é revoltante ver até onde consegue chegar a insensibilidade do ser humano.

“Na hora, a única sensação que tive foi de muita raiva. Fiquei pasmo. Não pensei duas vezes em ligar para a polícia e torço muito para que eles encontrem o responsável por esse crime. Imagina?! Ver uma criança morta no meu portão? É doloroso demais. É um absurdo! Não há como aceitarmos mais esse tipo de coisa”, declarou.

Responsáveis pela investigação, policiais da 74ª DP (Alcântara) suspeitam de aborto. O delegado-adjunto, Emanuel Abud, disse que espera contar com a colaboração de testemunhas para desvendar o caso. “Vamos atrás das gestantes que fizeram pré-natal, mulheres grávidas da região. É de alguém por perto”, afirmou.

Além disso, ele informou que haverá uma apuração nos hospitais e maternidades que possuam informações sobre gestantes. Caso a pessoa seja encontrada, há a possibilidade da mesma ser autuada por abandono ao incapaz. O corpo da menina foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), no bairro Tribobó.

RECORDANDO - Num período de pouco mais de dois meses, o bebê de Marambaia já se tornou o terceiro caso registrado de abandono a recém nascidos na região. Ainda no início deste mês, uma outra menina foi encontrada dentro de um terreno usado como local de despejo de materiais de um hipermercado, próximo ao Terminal Rodoviário João Goulart, no centro de Niterói. Um dia após ser internada, a criança morreu por insuficiência respiratória grave, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca.

Um pouco mais de sorte teve o menino ‘Francisco’, que foi batizado pelos policiais que operacionalizaram a ocorrência. O bebê havia sido abandonado na Rua Mário Joaquim Santana, no bairro São Francisco, também em Niterói. Apresentando sinais de hipotermia, ele, que também havia sido jogado no lixo, foi encaminhado ao Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) onde conseguiu resistir.

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