São 80 anos de lutas, vitórias e muito respeito conquistado por todos. Pernambucana por nascimento, gonçalense de coração. Essa é Amara Matilde de Assis. Moradora do bairro Colubandê, ela será a terceira mulher de São Gonçalo na história a ser homenageada como cidadã negra que se destacou em defesa dos direitos da influência africana. O prêmio Zumbi dos Palmares será entregue, hoje, pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no plenário do Palácio Tiradentes, no Rio.
Amara contou sobre a emoção de receber a homenagem e sobre a importância da conscientização das pessoas na luta contra todas as formas de discriminação. Para ela, cidadã negra e nordestina, a exclusão esteve presente na maioria das vezes.
“Me sinto muito feliz pela lembrança. Isso é sinal que me admiram pela pessoa que sou. Seja em Pernambuco ou aqui no Rio, antigamente, era bem difícil para um negro, ainda mais uma mulher, ser aceita em determinados lugares”, disse.
“Me sinto muito feliz pela lembrança. Isso é sinal que me admiram pela pessoa que sou. Seja em Pernambuco ou aqui no Rio, antigamente, era bem difícil para um negro, ainda mais uma mulher, ser aceita em determinados lugares”, disse.
Integrante do Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG), há mais de 10 anos, Amara afirma que todos os gonçalenses deveriam se preocupar com o combate à discriminação.
“A conscientização do ser humano é fundamental e isso começa em casa. Ninguém é melhor do que ninguém, todos somos capazes. Isso deveria partir de todos os pais e avós para os mais jovens”, explicou.
Atualmente, o MMSG possui cerca de 300 associadas. Entre as atividades do grupo, há oficinas e atividades que têm como tema a ideia defendida por Amara e outras tantas mulheres: a erradicação do preconceito em São Gonçalo. Nos últimos dois anos, as então diretoras do movimento, Oscarina Siqueira e Eliete Cunha foram homenageadas. Hoje, um ônibus estará à disposição do grupo para que todas possam acompanhar a solenidade.
Pelé, o primeiro
Para Amara, as dificuldades enfrentadas pelos cidadãos negros, atualmente, são bem mais confortáveis às que ela enfrentou antigamente. Segundo ela, até o início dos anos 60, quando o jogador Pelé despontou como um dos negros mais respeitados do mundo, era bem difícil um afro-descendente ser aceito em determinados lugares.
“Para frequentar alguns clubes e, principalmente, desempenhar determinados papéis na sociedade era bem mais difícil. Eu, como mulher e negra, sei disso”, contou.
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